Bolsas perdem 500 bilhões de euros por causa de Chipre

Kirill Bezverkhi
19.03.2013, 21:00, hora de Moscou

chipre

EPA

Meio trilião de euros é o valor total da quebra do valor das ações que ocorreu nas praças financeiras mundiais. Tudo aconteceu devido ao protagonista das notícias dos últimos dias – o Chipre.

Na terça-feira, alguns mercados estão a recuperar dessa queda, mas é possível que em breve os mercados voltem a entrar em convulsão. Na noite passada, o presidente do Chipre tinha avisado que a decisão de introduzir um imposto sobre os depósitos bancários não deveria atingir no parlamento o número mínimo de votos necessário. Isso significa que o país nunca esteve tão perto da bancarrota.

O governo cipriota tentou, por diversas vezes, convencer o parlamento a aprovar o imposto sobre os depósitos. No sábado, faltou literalmente um voto e, no domingo e na segunda-feira, a votação foi adiada. Para atrair os partidos para o seu lado, a administração do presidente do Chipre, Nikos Anastasiadis, acordou com os credores um escalonamento fiscal mais progressivo. Foi proposto isentar do imposto as contas com menos de 100 mil euros e transferir toda a carga para os depositantes mais abonados. A taxa sobre os depósitos com mais de 100 mil euros pode aumentar para os 15,6%, em vez dos quase 10% planejados anteriormente. Dessa forma, as autoridades contam encaixar mais de 6 bilhões de euros.

Os deputados cipriotas, no entanto, continuam a não se deixar convencer pelas novas condições, muitos deles apelam a uma total desistência do novo imposto. Caso contrário, todo o sistema bancário do Chipre ficará ameaçado, o que pode influenciar negativamente todo o sistema bancário europeu. Esse ponto de vista é partilhado pelo laureado com o Prêmio Nobel da Economia Michael Spence:

“As pessoas temem as consequências da crise na Europa, mas absolutamente ninguém pensou que houvesse um perigo para os simples depositantes que têm o seu dinheiro no banco. Os receios podem alastrar muito para além das fronteiras do Chipre e as pessoas começarão a retirar o seu dinheiro dos bancos. Eu compreendo que os países estejam a resolver o grave problema da repartição dessa carga e que países como a Alemanha não queiram assumir todo o peso, mas resolver os problemas penalizando os depositantes é irracional e irresponsável.”

A reação das autoridades russas a esse imposto cipriota foi semelhante. Vladimir Putin classificou essa decisão de injusta, não-profissional e perigosa. Os depositantes russos possuem uma quinta parte de todos os meios colocados nas instituições de crédito cipriotas. As empresas e os cidadãos da Rússia têm cerca de 16 bilhões de euros depositados nos bancos desse Estado insular. Disso resulta que, para eles, o prejuízo poderá resultar em 2 – 5 bilhões, consoante a taxa que for finalmente aprovada.

A próxima votação dessa questão pelo parlamento cipriota está agendado para o fim de terça-feira. Alguns observadores admitem que a sessão possa ser adiada pela terceira vez. Essa hipótese é corroborada pela mídia local, segundo a qual as instituições de crédito da ilha não irão retomar a sua atividade antes de sexta-feira: as transferências bancárias continuam a estar proibidas. Se o parlamento acabar por não aprovar, nem hoje, nem depois, esse projeto, então o Chipre poderá apelar a uma ajuda da Rússia, considera a analista sênior da empresa Alpari Darya Zhelannova:

“Se o parlamento não aprovar a decisão que tem sido avançada, o Chipre só terá uma solução – apelar à Rússia. Mas, só com as notícias sobre um possível encaixe de parte dos depósitos, o Chipre perdeu a confiança da Rússia. Além disso, foi desferido um forte golpe sobre o próprio Chipre, sobre a zona do Euro e sobre todas as offshore. A Rússia irá pensar três vezes se irá ajudar ou não. Em caso de sempre haver uma taxa sobre os depósitos, nesse caso a Rússia não irá contribuir com a sua ajuda com toda a certeza.”

A Rússia não está de acordo com o fato de o imposto sobre os depósitos bancários ter sido aprovado sem o acordo de Moscou. Recordemos que a Rússia ajudou Nicósia na superação da crise bancária de 2011, emprestando 2,5 bilhões de euros. O adiamento do prazo de pagamento desse empréstimo é o principal objetivo da visita a Moscou do ministro das Finanças do Chipre, Michalis Sarris. A visita, segundo diferentes fontes, está agendada para terça ou quarta-feira, mas, considerando o arrefecimento das relações entre os dois países, os peritos duvidam que a Rússia faça cedências ao Chipre, para não falar de um crédito adicional.

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