Afinal Portas só tinha duques

Manuel António Pina – 12.05.2011

Por volta do 10º minuto do debate entre Portas e Sócrates da passada segunda-feira, o líder do CDS/PP, depois de levar Sócrates a afirmar que a dívida portuguesa crescera menos que a de outros países europeus, sacou da cartola um gráfico, exibindo-lho, eufórico, e aos queridos telespectadores: “Apanhei-te!”. E os comentadores do costume logo festejaram por tudo quanto é jornal e TV: “Vitória a Portas por KO técnico!”

A crer no gráfico de Portas (que, se não foi retirado, pode ser visto na sua página no Facebook), entre 2005 e 2011, anos de Governo PS, Portugal terá sido o país da UE onde a dívida mais cresceu em percentagem do PIB. Estava ali, no gráfico mágico, com números e tudo; e gráficos e números não mentem!

Mas, afinal, mentem. Para pôr o seu gráfico mentir, Portas usou o velho truque estalinista de retocar a fotografia, retirando dela os países cuja dívida tinha crescido mais do que a portuguesa (Irlanda, Grécia, Reino Unido e Letónia). Depois, para a coisa ficar um pouco mais negra, ainda falsificou os rácios da dívida sobre o PIB, aumentando cirurgicamente o de Portugal de 27,2 para 30,2% e, para que o fosso para Espanha e França ficasse maior, diminuindo os destes países de 26,7 para 17,7% e de 20,5 para 15,2%.

Azar de Portas: o “Jornal de Negócios” pagou para ver, verificou os números e lá se foi o “bluff”. Com Sócrates com jogo tão fraco, só Portas se lembraria de fazer batota!

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