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	<title>Notas de Rodapé</title>
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		<title>Notas de Rodapé</title>
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		<title>Sinais de morte</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 15:24:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Opinião Vasco Pulido Valente &#8211; 06-11-2011 Os militantes do Bloco, já na meia-idade e sem a frescura que ao princípio os tornava suportáveis na televisão, lembram agora invariavelmente frades velhos, que repetem uma verdade em que já não acreditam ou que resolveram ignorar o baixo mundo em que nós, para nossa desgraça, ainda não deixámos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=344&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table width="100%" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top">Opinião</p>
<p>Vasco Pulido Valente &#8211; 06-11-2011</p>
<p>Os militantes do Bloco, já na meia-idade e sem a frescura que ao princípio os tornava suportáveis na televisão, lembram agora invariavelmente frades velhos, que repetem uma verdade em que já não acreditam ou que resolveram ignorar o baixo mundo em que nós, para nossa desgraça, ainda não deixámos de viver. A ladainha é sempre a mesma: a <em>troika </em>e o Governo querem arrasar a economia portuguesa, como arrasaram a da Grécia e submeter à mansidão os trabalhadores pelo desemprego e pela miséria com o único objectivo de satisfazer os mercados. O Bloco, pelo contrário, e quem navega com ele, quer o crescimento e a dignificação do trabalho, um anseio virtuoso, que o país compreende e que, tarde ou cedo, o salvará. Dos meios desta obra não fala o Bloco e, quando fala, melhor seria que não falasse.</p>
<p>Segunda-feira na televisão, Louçã acusou com voz trémula Passos Coelho por ele ter anunciado o inevitável &#8220;empobrecimento&#8221; de Portugal e não ter dito nada na campanha sobre essa intenção maléfica e secreta. Ora, como Louçã sabe, de Passos Coelho ao Presidente da República, ao grosso do PSD e do CDS, e mesmo a uma larga franja de costume neutral e desinteressada, toda a gente disse, e continua a dizer, que Portugal gasta mais do que produz e vive muito acima do que razoavelmente pode. Imagina Louçã &#8211; ao que parece um economista &#8211; que este exercício empobrece ou enriquece? Não lhe interessa. O que lhe interessa é o escândalo pelo escândalo: agitar a entidade metafísica dos mercados, como dantes se agitava a presença palpável do Diabo; ou denunciar a existência dum PREC da Direita, que não passa de uma figura de retórica; e esperar que o brilho da sua virtude faça o resto.</p>
<p>O resto ou quase tudo o resto. Porque o Bloco e o sumo da esquerda bem pensante também contam com um milagre de fora. Uns recomendam, prometem ou profetizam a famigerada &#8220;saída&#8221; do euro, sem perceber que essa &#8220;saída&#8221; destruiria rapidamente a classe média e poria a pão e água a maioria dos portugueses. Outros lamentam que a Alemanha e o BCE não se ponham por aí a imprimir dinheiro e provoquem uma inflação descomunal capaz de absorver a dívida, qualquer que ela fosse, e de caminho devastar a Europa. E outros, que se distinguem pela sua particular ingenuidade e espessura, persistem em pensar no tio do Brasil, isto é, em <em>eurobonds</em> generosamente concedidos, por razão nenhuma, à indigência universal. Como os sarilhos da direita, a absoluta nulidade da esquerda é um sinal de morte.</td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>O &#8220;independente&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 12:09:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Opinião de Vasco Pulido Valente &#8211; 16-10-2011 Este Governo tem um número anormal de &#8220;independentes&#8221;, coisa que em princípio parece meritória ao cidadão comum. Mas será? Para começar, conviria saber o que é um &#8220;independente&#8221;. É um senhor (ou uma senhora) que nunca por nunca se interessou por política e menos por política partidária, e que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=341&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table width="100%" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top">Opinião de Vasco Pulido Valente &#8211; 16-10-2011</p>
<p>Este Governo tem um número anormal de &#8220;independentes&#8221;, coisa que em princípio parece meritória ao cidadão comum. Mas será? Para começar, conviria saber o que é um &#8220;independente&#8221;. É um senhor (ou uma senhora) que nunca por nunca se interessou por política e menos por política partidária, e que votou sempre segundo a sua &#8220;consciência&#8221;, ou conveniência, sem se interessar se votava no PS, no PSD, no CDS ou no diabo em pessoa? Admito que haja por aí esse animal indefinido, embora não conheça nenhum. É, pelo contrário, o &#8220;independente&#8221; um cidadão desconhecido que conseguiu o milagre geométrico de ser, como se dizia, &#8220;equidistante&#8221; dos grupos e grupelhos que por aí andam? Ou é um sábio fechado num gabinete inacessível, que sabe ao certo o remédio para salvar a Pátria e está calado por humildade cristã e científica?</p>
<p>Em grosso, não penso que o &#8220;independente&#8221; seja nada disto, pela simples razão que não acredito na &#8220;independência&#8221; do &#8220;independente&#8221;. O &#8220;independente&#8221; costuma esvoaçar à volta à volta dos grandes grupos de interesses, dos <em>lobbies</em> universitários, do PSD e do PS. Verdade que não frequenta sessões de militantes, nem se candidata a cargos que o possam pôr em evidência pública. Prefere o género &#8220;encontro&#8221;, &#8220;simpósio&#8221;, &#8220;seminário&#8221; ou conferência, onde se roça com assiduidade pela gente importante e, principalmente, pela gente séria e onde com o tempo (com pouco tempo) começa ele próprio a adquirir sem excessivo esforço a sua reputação de importante e sério. Não incomoda ninguém, não provoca ninguém, quase não se nota e é útil para encher uma cadeira ou fazer uma pergunta.</p>
<p>Mas não se imagina que o &#8220;independente&#8221; escolhe ao acaso, como um pássaro tonto, os meios por onde circula e as relações que laboriosamente angaria. Sabe perfeitamente para onde sopra o vento: onde poisa o PS e onde poisa o PSD. Quem tende a &#8220;subir&#8221; e quem tende a &#8220;descer&#8221; e, portanto, para usar o termo pornográfico corrente, em quem deve &#8220;apostar&#8221;. Depois de uma eleição ou de uma remodelação, muitas vezes até ganha. Serve para tapar um &#8220;buraco&#8221;, para afastar um apoiante incómodo, para resolver com mansidão e &#8220;neutralidade&#8221; uma querela entre dois &#8220;caciques&#8221;. A televisão e os jornais declaram o &#8220;independente&#8221; uma &#8220;cara fresca&#8221; e ele entra esfusiante pelo Estado dentro na completa ignorância do que sejam a administração e a sociedade portuguesa. Para naturalmente fugir dali a uns meses como um sendeiro triste, à procura de um novo dono.</td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>História com final feliz</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 12:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Opinião de Manuel António Pina É só um mais caso mas ilustrativo dos labirintos políticos através dos quais, passando pelo Estado, os milhões fluem, em Portugal, do bolso dos contribuintes para o de certos grupos económicos, invariavelmente os mesmos. Noticia a &#8220;Agência Financeira&#8221; que a reguladora do sector rodoviário denunciou em 2010 ao então secretário [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=338&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2055962&amp;opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina">Opinião</a> de Manuel António Pina</p>
<p>É só um mais caso mas ilustrativo dos labirintos políticos através dos quais, passando pelo Estado, os milhões fluem, em Portugal, do bolso dos contribuintes para o de certos grupos económicos, invariavelmente os mesmos.</p>
<p>Noticia a &#8220;Agência Financeira&#8221; que a reguladora do sector rodoviário denunciou em 2010 ao então secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, que a Estradas de Portugal estava a negociar um contrato ruinoso com o grupo Ascendi, referente às auto-estradas entre Barcelos e Guimarães e Famalicão e Vila Pouca e a várias ligações dos IC16, IC17 e IC30.</p>
<p>O trânsito era, pelos vistos, pouco e a concessionária perdia dinheiro pois se pagava apenas com portagens. O anterior Governo resolveu-lhe o problema: passou a pagar à Ascendi, por estradas que não custavam um cêntimo ao Estado, 1,864 milhões em rendas fixas, recebendo 1,267 milhões de portagens. Para isso mudou o Código da Contratação Pública e entregou depois (ou antes, não se sabe) a feitura do contrato a um escritório de advogados&#8230; ligado às construtoras.</p>
<p>O resultado foi um rombo de 597 milhões anuais na despesa pública que você, leitor, e eu estamos agora a pagar à Ascendi, isto é, à Mota&#8211;Engil de Jorge Coelho e ao BES.</p>
<p>O então presidente da Estradas de Portugal é hoje presidente da Opway, construtora do BES e accionista da Ascendi. E Paulo Campos figura de proa do &#8220;novo PS&#8221; de Seguro. Tudo está bem quando acaba em bem.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rodape.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rodape.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rodape.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rodape.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rodape.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rodape.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rodape.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rodape.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rodape.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rodape.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rodape.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rodape.wordpress.com/338/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rodape.wordpress.com/338/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rodape.wordpress.com/338/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=338&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Troika não é desculpa para as &#8220;crueldades&#8221; do Governo</title>
		<link>http://rodape.wordpress.com/2011/10/14/troika-nao-e-desculpa-para-as-crueldades-do-governo/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 11:01:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Artur Penedos &#8211; 14-10-2011 No &#8220;Acordo Tripartido&#8221;, realizado em Março, não há orientações para alterar o conceito de justa causa no despedimento A coligação que governa o país baseia-se num acordo pós-eleitoral, celebrado em Junho passado, com o compromisso de, entre outras coisas, melhorar as condições de vida dos cidadãos através da aceleração da retoma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=335&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table width="100%" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top">Artur Penedos &#8211; 14-10-2011</p>
<p>No &#8220;Acordo Tripartido&#8221;, realizado em Março, não há orientações para alterar o conceito de justa causa no despedimento</p>
<p>A coligação que governa o país baseia-se num acordo pós-eleitoral, celebrado em Junho passado, com o compromisso de, entre outras coisas, melhorar as condições de vida dos cidadãos através da aceleração da retoma económica.</p>
<p>Cem dias passaram e, de retoma económica, nada se viu. Bem pelo contrário, nessa como noutras áreas, foi só desgraça. Mas este não é o rumo que quero seguir. Para deprimir o povo já bastam os permanentes anúncios de mais recessão, mais aumentos de impostos, mais desprotecção social.</p>
<p>O objectivo é analisar o que verdadeiramente quer fazer o Governo em matéria de emprego.</p>
<p>E, pelos anúncios que vêm sendo produzidos, a receita que mais agradaria ao Governo passaria pelo aumento da precariedade nos vínculos laborais. Digo isto, apenas, porque o ministro da Economia e do Emprego, em recentes declarações, anunciou uma nova modalidade para o despedimento por inadaptação.</p>
<p>O modelo permitiria aos empregadores despedir, sem justa causa, os trabalhadores que não atingissem os níveis de produtividade ou de qualidade desejados! Depois de tão desastrada ideia, o ministro já disse que devemos estar calmos, porque &#8220;ninguém quer acabar com a justa causa&#8221;.</p>
<p>Álvaro Pereira faz esse apelo, porque não saberá o que Passos Coelho apoiava quando era oposição. O PSD apresentou na AR, há pouco mais de um ano, um projecto de lei que visava a instituição de medidas transitórias e excepcionais para a criação de emprego. E também queria uma revisão constitucional para alterar o conceito de justa causa.</p>
<p>Esse projecto, que se dizia destinado a criar emprego, defendia a &#8220;suspensão&#8221; temporária da legislação laboral, vulgo Código de Trabalho, para um público-alvo muito particular, até 2014: os desempregados ou jovens à procura do primeiro emprego!</p>
<p>Até parecia influenciado por uma ideia da sua antecessora, que advogou a &#8220;suspensão da democracia&#8221;.</p>
<p>A iniciativa do PSD admitia mesmo que as empresas pudessem celebrar contratos de trabalho a termo, verbais.</p>
<p>Esta é a verdade, apesar dos reiterados desmentidos de Passos Coelho.</p>
<p>Para que não restem dúvidas, reproduzo o projecto na parte que sustenta a afirmação &#8220;(&#8230;) A falta de forma não implica a nulidade da estipulação do termo, nem a aplicação das regras do contrato de trabalho sem termo (&#8230;)&#8221;.</p>
<p>O partido que lidera o Governo não se ficou por aqui. Assumiu, também, uma ideia que designou por &#8220;Tributo Social&#8221;, para obrigar os desempregados a prestar trabalho gratuito.</p>
<p>Quem já esqueceu, pode aqui recordar os traços mais relevantes da iniciativa.</p>
<p>A finalidade, dizia-se, era combater a acomodação dos desempregados. O objectivo, levá-los a prestar trabalho não-remunerado a entidades públicas ou do sector social, ou na formação profissional.</p>
<p>Os destinatários, os beneficiários do subsídio social de desemprego e/ou rendimento social de inserção (RSI) e, ainda, os que recebiam subsídio de desemprego. As consequências, em caso de recusa, lineares: fim do direito às prestações.</p>
<p>O Tributo Social preconizado, que criava a obrigatoriedade de trabalho gratuito e a interrupção do direito a prestações em caso de recusa, parece-me, configura uma opção desviante face à lei fundamental e às convenções de direitos fundamentais &#8211; casos da Constituição da República, Convenções da OIT e Carta dos Direitos Fundamentais da UE.</p>
<p>Se no caso dos subsídios social de desemprego e RSI (vulgo rendimento mínimo) o caminho preconizado contraria os compromissos de Portugal com a OIT (Convenção 29.ª) e a Carta dos Direitos Fundamentais da UE (art.º 5, n.º 2), relativamente a beneficiários do subsídio de desemprego &#8211; que resulta das contribuições de empregadores e trabalhadores &#8211; acrescento a eventual violação da Constituição da República.</p>
<p>O ministro Álvaro Pereira não saberá, mas este foi o caminho defendido pelo chefe do actual Governo quando esteve na oposição. Já sabemos que ele fala de mais (o próprio o assumiu na AR), mas, quando assim é, há que extrair consequências.</p>
<p>Num quadro destes é inaceitável que o Governo, pela mão de Álvaro Pereira, tente enganar os portugueses, dizendo que só está a implementar aquilo que foi acordado no memorando de entendimento com a <em>troika</em>.</p>
<p>O que foi estabelecido, basta consultar o ponto 4 &#8211; <em>Mercado de Trabalho e Educação</em> do memorando, é a possibilidade de ser acrescentada uma nova causa justificativa para o despedimento individual, nas situações em que o trabalhador tenha acordado certos objectivos e, por culpa sua, não tenham sido atingidos.</p>
<p>Mas a Constituição da República portuguesa proíbe o despedimento sem justa causa e, no memorando, está claro que as reformas na legislação de trabalho serão concretizadas &#8220;tendo em consideração as possíveis implicações constitucionais e respeitando as Directivas da UE e as normas fundamentais de trabalho&#8221;.</p>
<p>A orientação geral dos compromissos com a <em>troika</em> é baseada no &#8220;Acordo Tripartido&#8221;, realizado em Março passado, na Concertação Social e, aí, não há orientações para alterar o conceito de justa causa no despedimento.<em>Ex-deputado do PS</em></td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rodape.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rodape.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rodape.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rodape.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rodape.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rodape.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rodape.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rodape.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rodape.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rodape.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rodape.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rodape.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rodape.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rodape.wordpress.com/335/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=335&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vamos desaparecer?</title>
		<link>http://rodape.wordpress.com/2011/10/14/vamos-desaparecer/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 10:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Opinião de Vasco Pulido Valente &#8211; 14-10-2011 O dr. António Barreto, com a autoridade da sua barba profética e da sua castidade política, disse que Portugal poderia não vir a ser um país numa Europa diferente e, presumivelmente, reformada. Isto enervou algumas pessoas que se enervam com tudo e mesmo o sr. Pinto da Costa do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=332&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table width="100%" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top">Opinião de Vasco Pulido Valente &#8211; 14-10-2011</p>
<p>O dr. António Barreto, com a autoridade da sua barba profética e da sua castidade política, disse que Portugal poderia não vir a ser um país numa Europa diferente e, presumivelmente, reformada. Isto enervou algumas pessoas que se enervam com tudo e mesmo o sr. Pinto da Costa do FC do Porto apareceu na televisão pálido e tremente de terror. Não sei, palavra a palavra, com a exactidão devida, o que o dr. Barreto achou por bem comunicar à pátria. Nem percebi com toda a clareza onde ele queria chegar. Mas percebo, pelo menos, que não percebi nada. Há três possibilidades. Ou o dr. António Barreto se estava a referir a Portugal como nação, ou seja, como entidade cultural, e, nesse caso, não tem razão. Ou se estava a referir a Portugal como Estado soberano, e, nesse caso, desde o século XVII que não tem razão. Ou se estava a referir à autonomia económica de Portugal, e, nesse caso, nunca teve razão.<br />
Na primeira hipótese, é óbvio que dez milhões de portugueses, com uma língua única, uma literatura erudita, uma religião maioritária (e pacificamente aceite), uma história comum, um império de que restam respeitáveis vestígios (como, por exemplo, Angola e Brasil) e sem qualquer diferença étnica notável &#8211; é uma nação. Nenhuma outra unidade política nos quereria absorver. Seríamos sempre uma fonte de conflitos, pior do que os flamengos na Bélgica e muito pior do que os bascos ou os catalães em Espanha. A nossa separação sólida e formal (não escrevi: independência) garante a tranquilidade dos vizinhos. As nossas desordens domésticas devem ficar rigorosamente domésticas.</p>
<p>Na segunda hipótese &#8211; a do Estado soberano -, não subsiste a menor dúvida de que, desde o princípio do século XIX a meados do século XX, Portugal foi um protectorado inglês, que poucas vezes se distinguia de uma colónia. Nesse sentido, não existíamos. Ou nos portávamos bem ou a Inglaterra mandava cá uma esquadra fazer ameaças ou contratava um exército espanhol para nos aplicar um correctivo ardente. Com a queda do Império Britânico, Salazar e Caetano ainda conseguiram uma estreita e efémera liberdade, que lhes serviu para a guerra colonial sem sentido. Depois, chegaram as vergonhas do PREC e da Europa.</p>
<p>Na terceira hipótese &#8211; a da autonomia económica -, basta olhar para a nossa atávica dependência do défice e da dívida, que, excepto na indigência sub-humana da ditadura, nos trouxe invariavelmente às misérias de hoje.</td>
<td></td>
</tr>
</tbody>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rodape.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rodape.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rodape.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rodape.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rodape.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rodape.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rodape.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rodape.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rodape.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rodape.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rodape.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rodape.wordpress.com/332/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rodape.wordpress.com/332/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rodape.wordpress.com/332/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=332&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dia 15 [Setembro de 2008]</title>
		<link>http://rodape.wordpress.com/2011/09/15/dia-15-setembro-de-2008-2/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 09:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[José Saramago - O CADERNO]]></category>

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		<description><![CDATA[Mexendo nuns quantos papéis que já perderam a frescura da novidade, encontrei um artigo sobre Lisboa escrito há uns quantos anos, e, não me envergonho de confessá-lo, emocionei-me. Talvez porque não se trate realmente de um artigo, mas de uma carta de amor, de amor a Lisboa. Decidi então partilhá-la com os meus leitores e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=312&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Mexendo nuns quantos papéis que já perderam a frescura da novidade, encontrei um artigo sobre Lisboa escrito há uns quantos anos, e, não me envergonho de confessá-lo, emocionei-me. Talvez porque não se trate realmente de um artigo, mas de uma carta de amor, de amor a Lisboa. Decidi então partilhá-la com os meus leitores e amigos tornando-a outra vez pública, agora na página infinita da internet, e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog.</em></p>
<p align="center"><strong>Palavras para uma cidade</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Tempo houve em que <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lisboa">Lisboa</a> não tinha esse nome. Chamavam-lhe <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Olisipo">Olisipo</a> quando os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Roma">Romanos</a> ali chegaram, Olissibona quando a tomaram os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mouros">Mouros</a>, que logo deram em dizer Aschbouna, talvez porque não soubessem pronunciar a bárbara palavra. Quando, em 1147, depois de um cerco de três meses, os Mouros foram vencidos, o nome da cidade não mudou logo na hora seguinte: se aquele que iria ser o nosso primeiro rei enviou à família uma carta a anunciar o feito, o mais provável é que tenha escrito ao alto Aschbouna, 24 de Outubro, ou Olissibona, mas nunca Lisboa. Quando começou Lisboa a ser Lisboa de facto e de direito? Pelo menos alguns anos tiveram de passar antes que o novo nome nascesse, tal corno para que os conquistadores <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Galiza">Galegos</a> começassem a tomar-se <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal">Portugueses</a>&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Estas miudezas históricas interessam pouco, dir-se-á, mas a mim interessar-me-ia muito, não só saber, mas ver, no exacto sentido da palavra, como veio mudando Lisboa desde aqueles dias. Se o cinema já existisse então, se os velhos cronistas fossem operadores de câmara, se as mil e uma mudanças por que Lisboa passou ao longo dos séculos tivessem sido registadas, poderíamos ver essa Lisboa de oito séculos crescer e mover-se como um ser vivo, como aquelas flores que a televisão nos mostra, abrindo-se em poucos segundos, desde o botão ainda fechado ao esplendor final das formas e das cores. Creio que amaria a essa Lisboa por cima de todas as cousas.</p>
<p style="text-align:justify;">Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. Memória que é a de um espaço e de um tempo, memória no interior da qual vivemos, como uma ilha entre dois mares: um que dizemos passado, outro que dizemos futuro. Podemos navegar no mar do passado próximo graças à memória pessoal que conservou a lembrança das suas rotas, mas para navegar no mar do passado remoto teremos de usar as memórias que o tempo acumulou, as memórias de um espaço continuamente transformado, tão fugidio como o próprio tempo. Esse filme de Lisboa, comprimindo o tempo e expandindo o espaço, seria a memória perfeita da cidade.</p>
<p style="text-align:justify;">O que sabemos dos lugares é coincidirmos com eles durante um certo tempo no espaço que são. O lugar estava ali, a pessoa apareceu, depois a pessoa partiu, o lugar continuou, o lugar tinha feito a pessoa, a pessoa havia transformado o lugar. Quando tive de recriar o espaço e o tempo de Lisboa onde <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ricardo_Reis">Ricardo Reis</a> viveria o seu último ano, sabia de antemão que não seriam coincidentes as duas noções do tempo e do lugar: a do adolescente tímido que fui, fechado na sua condição social, e a do poeta lúcido e genial que frequentava as mais altas regiões do espírito. A minha Lisboa foi sempre a dos bairros pobres, e quando, muito mais tarde, as circunstâncias me levaram a viver noutros ambientes, a memória que preferi guardar foi a da Lisboa dos meus primeiros anos, a Lisboa da gente de pouco ter e de muito sentir, ainda rural nos costumes e na compreensão do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Talvez não seja possível falar de uma cidade sem citar umas quantas datas notáveis da sua existência histórica. Aqui, falando de Lisboa, foi mencionada uma só, a do seu começo português: não será particularmente grave o pecado de glorificação&#8230; Sê-lo-ia, sim, ceder àquela espécie de exaltação patriótica que, à falta de inimigos reais sobre que fazer cair o seu suposto poder, procura os estímulos fáceis da evocação retórica. As retóricas comemorativas, não sendo forçosamente um mal, comportam no entanto um sentimento de autocomplacência que leva a confundir as palavras com os actos, quando as não coloca no lugar que só a eles competiria.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquele dia de Outubro, o então ainda mal iniciado Portugal deu um largo passo em frente, e tão firme foi ele que não voltou Lisboa a ser perdida. Mas não nos permitamos a napoleónica vaidade de exclamar: «Do alto daquele castelo oitocentos anos nos contemplam» – e aplaudir-nos depois uns aos outros por termos durado tanto&#8230; Pensemos antes que do sangue derramado por um e outro lados está feito o sangue que levamos nas veias, nós, os herdeiros desta cidade, filhos de cristãos e de mouros, de pretos e de judeus, de índios e de amarelos, enfim, de todas as raças e credos que se dizem bons, de todos os credos e raças a que chamam maus. Deixemos na irónica paz dos túmulos aquelas mentes transviadas que, num passado não distante, inventaram para os Portugueses um «dia da raça», e reivindiquemos a magnífica mestiçagem, não apenas de sangues, mas sobretudo de culturas, que fundou Portugal e o fez durar até hoje.</p>
<p style="text-align:justify;">Lisboa tem-se transformado nos últimos anos, foi capaz de acordar na consciência dos seus cidadãos o renovo de forças que a arrancou do marasmo em que caíra. Em nome da modernização levantam-se muros de betão sobre as pedras antigas, transtornam-se os perfis das colinas, alteram-se os panoramas, modificam-se os ângulos de visão. Mas o espírito de Lisboa sobrevive, e é o espírito que faz eternas as cidades. Arrebatado por aquele louco amor e aquele divino entusiasmo que moram nos poetas, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cam%C3%B5es">Camões</a> escreveu um dia, falando de Lisboa: «[...] cidade que facilmente das outras é princesa». Perdoemos-lhe o exagero. Basta que Lisboa seja simplesmente o que deve ser: culta, moderna, limpa, organizada – sem perder nada da sua alma. E se todas estas bondades acabarem por fazer dela uma rainha, pois que o seja. Na república que nós somos serão sempre bem-vindas rainhas assim.</p>
<p align="right"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago">José Saramago</a>, O CADERNO</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rodape.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rodape.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rodape.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rodape.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rodape.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rodape.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rodape.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rodape.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rodape.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rodape.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rodape.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rodape.wordpress.com/312/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rodape.wordpress.com/312/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rodape.wordpress.com/312/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=312&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Falta de imaginação</title>
		<link>http://rodape.wordpress.com/2011/06/05/falta-de-imaginacao/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Jun 2011 15:30:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Vasco Pulido Valente &#8211; 05-06-2011 Toda a gente se queixa que nem o CDS, nem o PS, nem o PSD tiveram o escrúpulo, ou coragem, de falar sobre o memorando de entendimento que assinaram com a Europa e o FMI para arranjar dinheiro. De certa maneira, não tiveram a culpa. A imaginação não é uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=297&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Vasco Pulido Valente &#8211; 05-06-2011</p>
<p style="text-align:justify;">Toda a gente se queixa que nem o CDS, nem o PS, nem o PSD tiveram o escrúpulo, ou coragem, de falar sobre o memorando de entendimento que assinaram com a Europa e o FMI para arranjar dinheiro. De certa maneira, não tiveram a culpa. A imaginação não é uma qualidade comum e, pior ainda, a imaginação histórica é quase nula no político médio. Basta, por exemplo, pensar no episódio, que separou para sempre o mundo antigo do mundo moderno: a I Guerra Mundial. Nem a Alemanha, nem a França, nem a Áustria, nem sequer a Rússia alguma vez pensaram que um pequeno assassinato em Sarajevo viesse a produzir a catástrofe que produziu. Durante muito tempo, e mesmo quando as coisas claramente se agravaram, as grandes potências presumiram que tudo acabaria numa escaramuça local. A tragédia chegou quase por acaso.</p>
<p style="text-align:justify;">E ninguém tinha a noção de que tragédia seria. No &#8220;Diário&#8221; do embaixador de Portugal em Paris, prevalece um único sentimento: o espanto. Não o medo, não o horror, não o desespero: o espanto. A artilharia e a metralhadora tinham afinal transformado a guerra como a faziam Napoleão ou Bismarck. O que se passava não podia simplesmente acontecer. Milhões de soldados que marchavam pelo continente inteiro, nações que desapareciam em menos de uma semana, 200.000 mortos nos primeiros três meses eram uma aberração inconcebível, literalmente inconcebível. Como depois foi o fuzilamento de reféns, o bombardeamento aéreo, o gás mostarda, a fome geral e por aí fora.</p>
<p style="text-align:justify;">A civilização a que o homem chegara não excluía esta espécie de barbaridades? Como se viu, não excluía. E não excluía a Espanha moderna e &#8220;progressiva&#8221; de 1936 uma guerra civil de quase quatro anos? Milhares de espanhóis supuseram que sim e em Julho, como de costume, mandaram a mulher e os filhos para a praia ou para a montanha. Muitas vezes, não os tornaram a ver. E agora nós? Será admissível que o Portugal próspero e contente de Cavaco e Guterres, que organizava a &#8220;Expo&#8221; e o &#8220;Europeu&#8221;, caia em quatro ou cinco anos numa aflitiva miséria? Que se percam hoje a segurança e os privilégios de anteontem? Admissível é. E, mais do que admissível, fatal. Mas quem suporta olhar para essa realidade que se aproxima e quem se atreve a falar dela? Nem os partidos, nem os portugueses.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rodape.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rodape.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rodape.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rodape.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rodape.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rodape.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rodape.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rodape.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rodape.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rodape.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rodape.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rodape.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rodape.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rodape.wordpress.com/297/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=297&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>La Santa</title>
		<link>http://rodape.wordpress.com/2011/05/29/la-santa/</link>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 01:40:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Gabriel García Márquez (Aracata, Colombia 1928—) La Santa Veintidós años después volví a ver a Margarito Duarte. Apareció de pronto en una de las callecitas secretas del Trastévere, y me costó trabajo reconocerlo a primera vista por su castellano difícil y su buen talante de romano antiguo. Tenía el cabello blanco y escaso, y no le [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=294&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#000000;font-family:Georgia;font-size:large;"><strong>Gabriel García Márquez</strong></span><br />
<span style="color:#000000;font-family:Georgia;font-size:medium;">(Aracata, Colombia 1928—)</span></p>
<p style="text-align:center;">La Santa</p>
<p>Veintidós años después volví a ver a Margarito Duarte. Apareció de pronto en una de las callecitas secretas del Trastévere, y me costó trabajo reconocerlo a primera vista por su castellano difícil y su buen talante de romano antiguo. Tenía el cabello blanco y escaso, y no le quedaban rastros de la conducta lúgubre y las ropas funerarias de letrado andino con que había venido a Roma por primera vez, pero en el curso de la conversación fui rescatándolo poco a poco de las perfidias de sus años y volvía a verlo como era: sigiloso, imprevisible, y de una tenacidad de picapedrero. Antes de la segunda taza de café en uno de nuestros bares de otros tiempos, me atreví a hacerle la pregunta que me carcomía por dentro.<br />
—¿Qué pasó con la santa?<br />
—Ahí está la santa –me contestó—. Esperando.<br />
Sólo el tenor Rafael Ribero Silva y yo podíamos entender la tremenda carga humana de su respuesta. Conocíamos tanto su drama, que durante años pensé que Margarito Duarte era el personaje en busca de autor que los novelistas esperamos durante toda una vida, y si nunca dejé que me encontrara fue porque el final de su historia me parecía inimaginable.<br />
Había venido a Roma en aquella primavera radiante en que Pío XII padecía una crisis de hipo que ni las buenas ni las malas artes de médicos y hechiceros habían logrado remediar. Salía por primera vez de su escarpada aldea de Tolima, en los Andes colombianos, y se le notaba hasta en el modo de dormir. Se presentó una mañana en nuestro consulado con la maleta de pino lustrado que por la forma y el tamaño parecía el estuche de un violonchelo, y le planteó al cónsul el motivo sorprendente de su viaje. El cónsul llamó entonces por teléfono al tenor Rafael Ribero Silva, su compatriota, para que le consiguiera un cuarto en la pensión donde ambos vivíamos. Así lo conocí.<br />
Margarito Duarte no había pasado de la escuela primaria, pero su vocación por las bellas letras le había permitido una formación más amplia con la lectura apasionada de cuanto material impreso encontraba a su alcance. A los dieciocho años, siendo el escribano del municipio, se casó con una bella muchacha que murió poco después en el parto de la primera hija. Ésta, más bella aún que la madre, murió de fiebre esencial a los siete años. Pero la verdadera historia de Margarito Duarte había empezado seis meses antes de su llegada a Roma, cuando hubo de mudar el cementerio de su pueblo para construir una represa. Como todos los habitantes de la región, Margarito desenterró los huesos de sus muertos para llevarlos al cementerio nuevo. La esposa era polvo. En la tumba contigua, por el contrario, la niña seguía intacta después de once años. Tanto, que cuando destaparon la caja se sintió el vaho de las rosas frescas con que la habían enterrado. Lo más asombroso, sin embargo, era que el cuerpo carecía de peso.<br />
Centenares de curiosos atraídos por el clamor del milagro desbordaron la aldea. No había duda. La incorruptibilidad del cuerpo era un síntoma inequívoco de la santidad, y hasta el obispo de la diócesis estuvo de acuerdo en que semejante prodigio debía someterse al veredicto del Vaticano. De modo que se hizo una colecta pública para que Margarito Duarte viajara a Roma, a batallar por una causa que ya no era sólo suya ni del ámbito estrecho de su aldea, sino un asunto de la nación.<br />
Mientras nos contaba su historia en la pensión del apacible barrio de Parioli, Margarito Duarte quitó el candado y abrió la tapa del baúl primoroso. Fue así como el tenor Ribero Silva y yo participamos del milagro. No parecía una momia marchita como las que se ven en tantos museos del mundo, sino una niña vestida de novia que siguiera dormida al cabo de una larga estancia bajo la tierra. La piel era tersa y tibia, y los ojos abiertos eran diáfanos, y causaban la impresión insoportable de que nos veían desde la muerte. El raso y los azahares falsos de la corona no habían resistido al rigor del tiempo con tan buena salud como la piel, pero las rosas que le habían puesto en las manos permanecían vivas. El peso del estuche de pino, en efecto, siguió siendo igual cuando sacamos el cuerpo.<br />
Margarito Duarte empezó sus gestiones al día siguiente de la llegada. Al principio con una ayuda diplomática más compasiva que eficaz, y luego con cuantas artimañas se le ocurrieron para sortear los incontables obstáculos del Vaticano. Fue siempre muy reservado sobre sus diligencias, pero se sabía que eran numerosas e inútiles. Hacía contacto con cuantas congregaciones religiosas y fundaciones humanitarias encontraba a su paso, donde lo escuchaban con atención pero sin asombro, y le prometían gestiones inmediatas que nunca culminaron. La verdad es que la época no era la más propicia. Todo lo que tuviera que ver con la Santa Sede había sido postergado hasta que el Papa superara la crisis de hipo, resistente no sólo a los más refinados recursos de la medicina académica, sino a toda clase de remedios mágicos que le mandaban del mundo entero.<br />
Por fin, en el mes de julio, Pío XII se repuso y fue a sus vacaciones de verano en Castelgandolfo. Margarito llevó la santa a la primera audiencia semanal con la esperanza de mostrársela. El Papa apareció en el patio interior, en un balcón tan bajo que Margarito pudo ver sus uñas bien pulidas y alcanzó a percibir su hálito de lavanda. Pero no circuló por entre los turistas que llegaban de todo el mundo para verlo, como Margarito esperaba, sino que pronunció el mismo discurso en seis idiomas y terminó con la bendición general.<br />
Al cabo de tantos aplazamientos, Margarito decidió afrontar las cosas en persona, y llevó a la Secretaría de Estado una carta manuscrita de casi sesenta folios, de la cual no obtuvo respuesta. Él lo había previsto, pues el funcionario que la recibió con los formalismos de rigor apenas si se dignó darle una mirada oficial a la niña muerta, y los empleados que pasaban cerca la miraban sin ningún interés. Uno de ellos le contó que el año anterior había recibido más de ochocientas cartas que solicitaban la santificación de cadáveres intactos en distintos lugares del mundo. Margarito pidió por último que se comprobara la ingravidez del cuerpo. El funcionario la comprobó, pero se negó a admitirla.<br />
—Debe ser un caso de sugestión colectiva –dijo.br&gt;          En sus escasas horas libres y en los áridos domingos de verano, Margarito permanecía en su cuarto, encarnizado en la lectura de cualquier libro que le pareciera de interés para su causa. A fines de cada mes, por iniciativa propia, escribía en un cuaderno escolar una relación minuciosa de sus gastos con su caligrafía preciosista de amanuense mayor, para rendir cuentas estrictas y oportunas a los contribuyentes de su pueblo. Antes de terminar el año conocía los dédalos de Roma como si hubiera nacido en ellos, hablaba un italiano fácil y de tan pocas palabras como su castellano andino, y sabía tanto como el que más sobre procesos de canonización. Pero pasó mucho más tiempo antes de que cambiara su vestido fúnebre, y el chaleco y el sombrero de magistrado que en la Roma de la época eran propios de algunas sociedades secretas con fines inconfesables. Salía desde muy temprano con el estuche de la santa, y a veces regresaba tarde en la noche, exhausto y triste, pero siempre con un rescoldo de luz que le infundía alientos nuevos para el día siguiente.<br />
— Los santos viven en su tiempo propio –decía.<br />
Yo estaba en Roma por primera vez, estudiando en el Centro Experimental de Cine, y viví su calvario con una intensidad inolvidable. La pensión donde dormíamos era en realidad un apartamento moderno a pocos pasos de la Villa Borghese, cuya dueña ocupaba dos alcobas y alquilaba cuartos a estudiantes extranjeros. La llamábamos María Bella, y era guapa y temperamental en la plenitud de su otoño, y siempre fiel a la norma sagrada de que cada quien es rey absoluto dentro de su cuarto. En realidad, la que llevaba el peso de la vida cotidiana era su hermana mayor, la tía Antonieta, un ángel sin alas que le trabajaba por horas durante el día, y andaba por todos lados con su balde y su escoba de jerga lustrando más allá de lo posible los mármoles del piso. Fue ella quien nos enseñó a comer los pajaritos cantores que cazaba Bartolino, su esposo, por el más hábito que le quedó de la guerra, y quien terminaría por llevarse a Margarito a vivir en su casa cuando los recursos no le alcanzaron para los precios de María Bella.<br />
Nada menos adecuado para el modo de ser de Margarito que aquella casa sin ley. Cada hora nos reservaba una novedad, hasta en la madrugada, cuando nos despertaba el rugido pavoroso del león en el zoológico de la Villa Borghese. El tenor Ribero Silva se había ganado el privilegio de que los romanos no se resintieran con sus ensayos tempraneros. Se levantaba a las seis, se daba su baño medicinal de agua helada y se arreglaba la barba y las cejas de Mefistófeles, y sólo cuando ya estaba listo con la bata de cuadros escoceses, la bufanda de seda china y su agua de colonia personal, se entregaba en cuerpo y alma a sus ejercicios de canto. Abría de par en par la ventana del cuarto, aún con las estrellas del invierno, y empezaba por calentar la voz con fraseos progresivos de grandes arias de amor, hasta que se soltaba a cantar a plena voz. La expectativa diaria era que cuando daba el do de pecho le contestaba el león de la villa Borghese con un rugido de temblor de tierra.<br />
— Eres San Marcos reencarnado, <em>figlio mio</em> –exclamaba la tía Antonieta asombrada de veras—. Sólo él podía hablar con los leones.<br />
Una mañana no fue el león el que dio la réplica. El tenor inició el dueto de amor del <em>Otello: Già nella notte densa s’estingue ogni clamor</em>. De pronto, desde el fondo del patio, nos llegó la respuesta en una hermosa voz de soprano. El tenor prosiguió, y las dos voces cantaron el trozo completo, para solaz del vecindario que abrió las ventanas para santificar sus casas con el torrente de aquel amor irresistible. El tenor estuvo a punto de desmayarse cuando supo que su Desdémona invisible era nada menos que la gran María Caniglia.<br />
Tengo la impresión de que fue aquel episodio el que le dio un motivo válido a Margarito Duarte para integrarse a la vida de la casa. A partir de entonces se sentó con todos en la mesa común y no en la cocina, como al principio, donde la tía Antonieta lo complacía casi a diario con su guiso maestro de pajaritos cantores. María Bella nos leía de sobremesa los periódicos del día para acostumbrarnos a la fonética italiana, y completaba las noticias con una arbitrariedad y una gracia que nos alegraban la vida. Uno de esos días contó, a propósito de la santa, que en la ciudad de Palermo había un enorme museo con los cadáveres incorruptos de hombres, mujeres y niños, e inclusive varios obispos, desenterrados de un mismo cementerio de padres capuchinos. La noticia inquietó tanto a Margarito, que no tuvo un instante de paz hasta que fuimos a Palermo. Pero le bastó una mirada de paso por las abrumadoras galerías de momias sin gloria para formularse un juicio de consolación.<br />
— No son el mismo caso –dijo—. A estos se les nota enseguida que están muertos.<br />
Después del almuerzo Roma sucumbía en el sopor de agosto. El sol de medio día se quedaba inmóvil en el centro del cielo, y en el silencio de las dos de la tarde sólo se oía el rumor del agua, que es la voz natural de Roma. Pero hacia las siete de la noche las ventanas se abrían de golpe para convocar el aire fresco que empezaba a moverse, y una muchedumbre jubilosa se echaba a las calles sin ningún propósito distinto que el de vivir, en medio de los petardos de las motocicletas, los gritos de los vendedores de sandía y las canciones de amor entre las flores de las terrazas.<br />
El tenor y yo no hacíamos la siesta. Íbamos en su vespa, él conduciendo y yo en la parrilla, y les llevábamos helados y chocolates a las putitas de verano que mariposeaban bajo los laureles centenarios de la Villa Borghese, en busca de turistas desvelados a pleno sol. Eran bellas, pobres, cariñosas, como la mayoría de las italianas de aquel tiempo, vestidas de organiza azul, de popelina rosada, de lino verde, y se protegían del sol con las sombrillas apolilladas por las lluvias de la guerra reciente. Era un placer humano estar con ellas, porque saltaban por encima de las leyes del oficio y se daban el lujo de perder un buen cliente para irse con nosotros a tomar un café bien conservado en el bar de la esquina, o a pasear en las carrozas de alquiler por los senderos del parque, o a dolernos de los reyes destronados y sus amantes trágicas que cabalgaban al atardecer en el <em>galoppatorio</em>. Más de una vez les servíamos de intérpretes con algún gringo descarriado.<br />
No fue por ellas que llevamos a Margarito Duarte a la Villa Borghese, sino para que conociera el león. Vivía en libertad en un islote desértico circundado por un foso profundo, y tan pronto como nos divisó en la otra orilla empezó a rugir con un desasosiego que sorprendió a su guardián. Los visitantes del parque acudieron sorprendidos. El tenor trató de identificarse con su do de pecho matinal, pero el león no le prestó atención. Parecía rugir hacia todos nosotros sin distinción, pero el vigilante se dio cuenta al instante de que sólo rugía por Margarito. Así fue: para donde él se moviera se movía el león, y tan pronto como se escondía dejaba de rugir. El vigilante, que era doctor en letras clásicas de la universidad de Siena, pensó que Margarito debió estar ese día con otros leones que lo habían contaminado de su olor. Aparte de esa explicación, que era inválida, no se le ocurrió otra.<br />
— En todo caso –dijo— no son rugidos de guerra sino de compasión.<br />
Sin embargo, lo que impresionó al tenor Ribera Silva no fue aquel episodio sobrenatural, sino la conmoción de Margarito cuando se detuvieron a conversar con las muchachas del parque. Lo comentó en la mesa, y unos por picardía, y otros por comprensión, estuvimos de acuerdo en que sería una buena obra ayudar a Margarito a resolver su soledad. Conmovida por la debilidad de nuestros corazones, María Bella se apretó la pechuga de madraza bíblica con sus manos empedradas de anillos de fantasía.<br />
— Yo lo haría por caridad –dijo—, si no fuera porque nunca he podido con los hombres que usan chaleco.<br />
Fue así como el tenor pasó por la Villa Borghese a las dos de la tarde, y se llevó en ancas de su vespa a la mariposita que le pareció más propicia para darle una hora de buena compañía a Margarito Duarte. La hizo desnudarse en su alcoba, la bañó con jabón de olor, la secó, la perfumó con su agua de colonia personal, y la empolvó de cuerpo entero con su talco alcanforado para después de afeitarse. Por último le pagó el tiempo que ya llevaban y una hora más, y le indicó letra por letra lo que debía hacer.<br />
La bella desnuda atravesó en puntillas la casa en penumbras, como un sueño de la siesta, y dio dos golpecitos tiernos en la alcoba del fondo. Margarito Duarte, descalzo y sin camisa, abrió la puerta.<br />
— <em>Buona sera giovanotto </em>–le dijo ella, con voz y modos de colegiala—.<em>Mi manda il tenore.</em><br />
Margarito asimiló el golpe con una gran dignidad. Acabó de abrir la puerta para darle paso, y ella se tendió en la cama mientras él se ponía a toda prisa la camisa y los zapatos para atenderla con el debido respeto. Luego se sentó a su lado en una silla, e inició la conversación. Sorprendida, la muchacha le dijo que se diera prisa, pues sólo disponían de una hora. Él no se dio por enterado.<br />
La muchacha dijo después que de todos modos habría estado el tiempo que él hubiera querido sin cobrarle ni un céntimo, porque no podía haber en el mundo un hombre mejor comportado. Sin saber qué hacer mientras tanto, escudriñó el cuarto con la mirada, y descubrió el estuche de madera sobre la chimenea. Preguntó si era un saxofón. Margarito no le contestó, sino que entreabrió la persiana para que entrara un poco de luz, llevó el estuche a la cama y levantó la tapa. La muchacha trató de decir algo, pero se le desencajó la mandíbula. O como nos dijo después: <em>Mi si gelò il culo. </em>Escapó despavorida, pero se equivocó de sentido en el corredor, y se encontró con la tía Antonieta que iba a poner una bombilla nueva en la lámpara de mi cuarto. Fue tal el susto de ambas, que la muchacha no se atrevió a salir del cuarto del tenor hasta muy entrada la noche.<br />
La tía Antonieta no supo nunca qué pasó. Entró en mi cuarto tan asustada, que no conseguía atornillar la bombilla en la lámpara por el temblor de las manos. Le pregunté qué le sucedía. “Es que en esta casa espantan”, me dijo. “Y ahora a pleno día”. Me contó con una gran convicción que, durante la guerra, un oficial alemán degolló a su amante en el cuarto que ocupaba el tenor. Muchas veces, mientras andaba en sus oficios, la tía Antonieta había visto la aparición de la bella asesinada recogiendo sus pasos por los corredores.<br />
— Acabo de verla caminando en pelota por el corredor –dijo—. Era idéntica.<br />
La ciudad recobró su rutina de otoño. Las terrazas floridas del verano se cerraron con los primeros vientos, y el tenor y yo volvimos a la tractoría del Trastévere donde solíamos cenar con los alumnos de canto del conde Carlo Calcagni, y algunos compañeros míos de la escuela de cine. Entre estos últimos, el más asiduo era Lakis, un griego inteligente y simpático, cuyo único tropiezo eran sus discursos adormecedores sobre la injusticia social. Por fortuna, los tenores y las sopranos lograban casi siempre derrotarlo con trozos de ópera cantados a toda voz, que sin embargo no molestaban a nadie aun después de la media noche. Al contrario, algunos trasnochadores de paso se sumaban al coro, y en el vecindario se abrían ventanas para aplaudir.<br />
Una noche, mientras cantábamos, Margarito entró en puntillas para no interrumpirnos. Llevaba el estuche de pino que no había tenido tiempo de dejar en la pensión después de mostrarle la santa al párroco de San Juan de Letrán, cuya influencia ante la Sagrada Congregación del Rito era de dominio público. Alcancé a ver de soslayo que lo puso debajo de una mesa apartada, y se sentó mientras terminábamos de cantar. Como siempre ocurría al filo de la media noche, reunimos varias mesas cuando la tractoría empezó a desocuparse, y quedamos juntos los que cantaban, los que hablábamos de cine, y los amigos de todos. Y entre ellos, Margarito Duarte, que ya era conocido allí como el colombiano silencioso y triste del cual nadie sabía nada. Lakis, intrigado, le preguntó si tocaba el violonchelo. Yo me sobrecogí con lo que me pareció una indiscreción difícil de sortear. El tenor, tan incómodo como yo, no logró remendar la situación. Margarito fue el único que tomó la pregunta con toda naturalidad.<br />
— No es un violonchelo –dijo—. Es la santa.<br />
Puso la caja sobre la mesa, abrió el candado y levantó la tapa. Una ráfaga de estupor estremeció el restaurante. Los otros clientes, los meseros, y por último la gente de la cocina con sus delantales ensangrentados, se congregaron atónitos a contemplar el prodigio. Algunos se persignaron. Una de las cocineras se arrodilló con las manos juntas, presa de un temblor de fiebre, y rezó en silencio.<br />
Sin embargo, pasada la conmoción inicial, nos enredamos en una discusión sobre la insuficiencia de la santidad en nuestros tiempos. Lakis, por supuesto, fue el más radical. Lo único que quedó claro al final fue su idea de hacer una película crítica con el tema de la santa.<br />
— Estoy seguro –dijo— que el viejo Cesare no dejaría escapar este tema.<br />
Se refería a Cesare Zavattini, nuestro maestro de argumento y guión, uno de los grandes de la historia del cine y el único que mantenía con nosotros una relación personal al margen de la escuela. Trataba de enseñarnos no sólo el oficio, sino una manera distinta de ver la vida. Era una máquina de pensar argumentos. Le salían a borbotones, casi contra su voluntad. Y con tanta prisa, que siempre le hacía falta la ayuda de alguien para pensarlos en voz alta y atraparlos al vuelo. Sólo que al terminarlos se le caían los ánimos. “Lástima que haya que filmarlo”, decía. Pues pensaba que en la pantalla perdería mucho de su magia original. Conservaba las ideas en tarjetas ordenadas por temas y prendidas con alfileres en los muros, y tenía tantas que ocupaban una alcoba de su casa.<br />
El sábado siguiente fuimos a verlo con Margarito Duarte. Era tan goloso de la vida, que lo encontramos en la puerta de su casa de la calle Angela Merici, ardiendo de ansiedad por la idea que le habíamos anunciado por teléfono. Ni siquiera nos saludó con la amabilidad de costumbre, sino que llevó a Margarito a una mesa preparada, y él mismo abrió el estuche. Entonces ocurrió lo que menos imaginábamos. En vez de enloquecerse, como era previsible, sufrió una especie de parálisis mental.<br />
— <em>Ammazza!</em> –murmuró espantado.<br />
Miró a la santa en silencio por dos o tres minutos, cerró la caja él mismo, y sin decir nada condujo a Margarito hacia la puerta, como a un niño que diera sus primeros pasos. Lo despidió con unas palmaditas en la espalda. “Gracias, hijo, muchas gracias”, le dijo. “Y que Dios te acompañe en tu lucha”. Cuando cerró la puerta se volvió hacia nosotros, y nos dio su veredicto.<br />
— No sirve para el cine –dijo—. Nadie lo creería.<br />
Esa lección sorprendente nos acompañó en el tranvía de regreso. Si él lo decía, no había no que pensarlo: la historia no servía. Sin embargo, María Bella nos recibió con el recado urgente de que Zavattini nos esperaba esa misma noche, pero sin Margarito.<br />
Lo encontramos en uno de sus momentos estelares. Lakis había llevado a dos o tres condiscípulos, pero él ni siquiera pareció verlos cuando abrió la puerta.<br />
— Ya lo tengo —gritó—. La película será un cañonazo si Margarito hace el milagro de resucitar a la niña.<br />
— ¿En la película o en la vida? —le pregunté.<br />
Él reprimió la contrariedad. &#8220;No seas tonto&#8221;, me dijo. Pero enseguida le vimos en los ojos el destello de una idea irresistible. &#8220;A no ser que sea capaz de resucitarla en la vida real&#8221;, dijo, y reflexionó en serio:<br />
— Debería probar.<br />
Fue sólo una tentación instantánea, antes de retomar el hilo. Empezó a pasearse por la casa, como un loco feliz, gesticulando a manotadas y recitando la película a grandes voces. Lo escuchábamos deslumbrados, con la impresión de estar viendo las imágenes como pájaros fosforescentes que se le escapaban en tropel y volaban enloquecidos por toda la casa.<br />
— Una noche —dijo— cuando ya han muerto como veinte Papas que no lo recibieron, Margarito entra en su casa, cansado y viejo, abre la caja, le acaricia la cara a la muertecita, y le dice con toda la ternura del mundo: “Por el amor de tu padre, hijita: levántate y anda”.<br />
Nos miró a todos, y remató con un gesto triunfal:<br />
— ¡Y la niña se levanta!<br />
Algo esperaba de nosotros. Pero estábamos tan perplejos, que no encontrábamos qué decir. Salvo Lakis, el griego, que levantó el dedo, como en la escuela, para pedir la palabra.<br />
— Mi problema es que no lo creo —dijo, y ante nuestra sorpresa, se dirigió directo a Zavattini—: Perdóneme, maestro, pero no lo creo.<br />
Entonces fue Zavattini el que se quedó atónito.<br />
— ¿Y por qué no?<br />
— Qué sé yo —dijo Lakis, angustiado—. Es que no puede ser.<br />
— <em>Ammazza!</em> —gritó entonces el maestro, con un estruendo que debió oírse en el barrio entero—. Eso es lo que más me jode de los estalinistas: que no creen en la realidad.<br />
En los quince años siguientes, según él mismo me contó, Margarito llevó la santa a Castelgandolfo por si se daba la ocasión de mostrarla. En una audiencia de unos doscientos peregrinos de América Latina alcanzó a contar la historia, entre empujones y codazos, al benévolo Juan XXIII. Pero no pudo mostrarle la niña porque debió dejarla a la entrada, junto con los morrales de otros peregrinos, en previsión de un atentado. El Papa lo escuchó con tanta atención como le fue posible entre la muchedumbre, y le dio en la mejilla una palmadita de aliento.<br />
— <em>Bravo, figlio mio</em> —le dijo—. Dios premiará tu perseverancia.<br />
Sin embargo, cuando de veras se sintió en vísperas de realizar su sueño fue durante el reinado fugaz del sonriente Albino Luciani. Un pariente de éste, impresionado por la historia de Margarito, le prometió su mediación. Nadie le hizo caso. Pero dos días después, mientras almorzaban, alguien llamó a la pensión con un mensaje rápido y simple para Margarito: no debía moverse de Roma, pues antes del jueves sería llamado del Vaticano para una audiencia privada.<br />
Nunca se supo si fue una broma. Margarito creía que no, y se mantuvo alerta. Nadie salió de la casa. Si tenía que ir al baño lo anunciaba en voz alta: &#8220;Voy al baño&#8221;. María Bella, siempre graciosa en los primeros albores de la vejez, soltaba su carcajada de mujer libre.<br />
— Ya lo sabemos, Margarito —gritaba—, por si te llama el Papa.<br />
La semana siguiente, dos días antes del telefonema anunciado, Margarito se derrumbó ante el titular del periódico que deslizaron por debajo de la puerta: <em>Morto il Papa</em>. Por un instante lo sostuvo en vilo la ilusión de que era un periódico atrasado que habían llevado por equivocación, pues no era fácil creer que muriera un Papa cada mes. Pero así fue: el sonriente Albino Luciani, elegido treinta y tres días antes, había amanecido muerto en su cama.<br />
Volví a Roma veintidós años después de conocer a Margarito Duarte, y tal vez no hubiera pensado en él si no lo hubiera encontrado por casualidad. Yo estaba demasiado oprimido por los estragos del tiempo para pensar en nadie. Caía sin cesar una llovizna boba como el caldo tibio, la luz de diamante de otros tiempos se había vuelto turbia, y los lugares que habían sido míos y sustentaban mis nostalgias eran otros y ajenos. La casa donde estuvo la pensión seguía siendo la misma, pero nadie dio razón de María Bella. Nadie contestaba en seis números de teléfono que el tenor Ribero Silva me había mandado a través de los años. En un almuerzo con la nueva gente de cine evoqué la memoria de mi maestro, y un silencio súbito aleteó sobre la mesa por un instante, hasta que alguien se atrevió a decir:<br />
—<em>Zavattini? Mai sentito.</em><br />
Así era: nadie había oído hablar de él. Los árboles de la Villa Borghese estaban desgreñados bajo la lluvia, el <em>galoppatoio</em> de las princesas tristes había sido devorado por una maleza sin flores, y las bellas de antaño habían sido sustituidas por atletas andróginos travestidos de manolas. El único sobreviviente de una fauna extinguida era el viejo león, sarnoso y acatarrado, en su isla de aguas marchitas. Nadie cantaba ni se moría de amor en las tractorías plastificadas de la Plaza de España. Pues la Roma de nuestras nostalgias era ya otra Roma antigua dentro de la antigua Roma de los Césares. De pronto, una voz que podía venir del más allá me paró en seco en una callecita del Trastévere:<br />
— Hola, poeta.<br />
Era él, viejo y cansado. Habían muerto cinco Papas, la Roma eterna mostraba los primeros síntomas de la decrepitud, y él seguía esperando. “He esperado tanto que ya no puede faltar mucho más”, me dijo al despedirse, después de casi cuatro horas de añoranzas. “Puede ser cosa de meses”. Se fue arrastrando los pies por el medio de la calle, con sus botas de guerra y su gorra descolorida de romano viejo, sin preocuparse de los charcos de lluvia donde la luz empezaba a pudrirse. Entonces no tuve ya ninguna duda, si es que alguna vez la tuve, de que el santo era él. Sin darse cuenta, a través del cuerpo incorrupto de su hija, llevaba ya veintidós años luchando en vida por la causa legítima de su propia canonización.</p>
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		<title>O Mundo como eles o vêem</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 10:56:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Manuel António Pina Quando ontem soube que Dominique Strauss&#8211;Kahn, director-geral do FMI, tinha sido preso em Nova Iorque (a palavra é &#8220;detido&#8221;, mas nem só de rigor jurídico vive a língua, alimenta-a também o desejo) acusado de crimes de violação e sequestro, a minha primeira reacção foi de irracional euforia: afinal havia Justiça &#8211; assim, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=292&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina">Manuel António Pina</a></p>
<p style="text-align:justify;">Quando ontem soube que Dominique Strauss&#8211;Kahn, director-geral do FMI, tinha sido preso em Nova Iorque (a palavra é &#8220;detido&#8221;, mas nem só de rigor jurídico vive a língua, alimenta-a também o desejo) acusado de crimes de violação e sequestro, a minha primeira reacção foi de irracional euforia: afinal havia Justiça &#8211; assim, com maiúscula e tudo &#8211; no Mundo!</p>
<p style="text-align:justify;">Imaginei Strauss-Kahn acusado de violação dos direitos dos numerosos povos do Mundo que o FMI tem &#8220;resgatado&#8221;, o último dos quais o português, e do sequestro de outras tantas economias nacionais para uso e abuso dos famosos mercados, &#8220;petit nom&#8221; da banca internacional e dos grandes fundos de especulação financeira.</p>
<p style="text-align:justify;">E veio-me à memória o recente &#8220;memorando&#8221; da &#8220;troika&#8221; de FMI &amp; Cª, que PS, PSD e CDS/PP disputam agora a honra de aplicar ao que sobrou das pensões, prestações sociais e salários após os sucessivos PEC aprovados pelos mesmos partidos. Ainda por cima as notícias diziam que Strauss-Kahn é reincidente em crimes semelhantes e não pude evitar lembrar-me dos estragos feitos pelo FMI (só para falar de exemplos recentes) na Grécia e na Irlanda.</p>
<p style="text-align:justify;">Afinal a coisa era literal e Strauss-Kahn terá &#8220;apenas&#8221; sequestrado e tentado violar uma empregada do hotel onde estava hospedado. Compreende-se como deve ser o Mundo visto de dentro da sua cabeça: se põe e dispõe de povos inteiros porque não há-de dispor como bem entender de uma empregada de hotel?</p>
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		<title>Prémio Camões: Manuel António Pina</title>
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		<pubDate>Sun, 15 May 2011 11:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.M.</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rodape.wordpress.com&amp;blog=212341&amp;post=289&amp;subd=rodape&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.jn.pt/Reportagens/Interior970.aspx?content_id=1851023"><img src="http://www.jn.pt/Storage/JN/2011/small/ng1527620.jpg" alt="Prémio Camões: Manuel António Pina" /></a></p>
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